Por que eu tenho que pagar uma bolsa de sangue, mesmo levando um doador?

Para um cão ser doador deve preencher os pré-requisitos: ter mais de 25 kg; ser vacinado e vermifugado; controle de ecto e endoparasitas; ser dócil;ter entre um e oito anos de idade e não ter passado por procedimento cirúrgico recente (menos de três meses). Os animais com peso inferior a 25 kg não podem ser doadores devido ao volume de sangue necessário para o procedimento, pois utilizamos a mesma bolsa que a Medicina Humana, onde o volume coletado é de 450 mL.

Ao se enquadrar nos pré-requisitos o cão ganha uma consulta, não apresentando nenhuma alteração no exame físico e/ou clínico, será coletado uma amostra de sangue para realização de mais de 15 exames laboratoriais para descartar as principais doenças que são transmitidas pelo sangue. Isso traz benefícios para o doador, pois realiza um check-up. Se alguma alteração for detectada nos exames, o animal é encaminhado para o veterinário clínico para um diagnóstico preciso e um tratamento adequado. Doadores assíduos (que freqüentam banco de sangue a cada dois a três meses) possuem uma maior possibilidade de diagnosticar enfermidades em um período precoce apresentando uma melhor resposta ao tratamento.

Os exames realizados no doador também acarretam benefícios para o receptor, pois garante o máximo de biossegurança nas bolsas que irá receber.

Além disso, consegue-se com uma bolsa de sangue total coletada auxiliar três cães diferentes , pois com o fracionamento é possível obter o concentrado de eritrócitos (glóbulos vermelhos), concentrado de plaquetas (célula responsável pela coagulação sanguínea) e plasma fresco (rico em fatores de coagulação). Depois que ocorre a obtenção dos hemocomponentes, esses passam por uma série de exames e dosagens antes de serem liberados para a utilização, o que é denominado de controle de qualidade.

Todas as fases desse serviço têm um custo de estrutura, equipamentos, exames, profissionais, entre outros para garantir a excelência do trabalho realizado. Assim, esses custos são repassados para as bolsas de sangue. Sem esse repasse seria impossível manter a qualidade do serviço realizado e ficaríamos da mesma forma como estávamos no passado sem qualquer controle e sem estoques de bolsas.

Na medicina humana uma bolsa de sangue também tem um custo, em média R$2.000,00 (dois mil reais), porém existe o SUS que assume esse valor. Hoje vivemos uma situação semelhante aos centros de hemoterapias para humanos, onde ocorre a falta de sangue.

Em nosso Hospital Veterinário, muitos cães vêem a óbito não por que o proprietário não tem condições financeiras de realizar uma transfusão e sim pela falta de doadores. Faltam pessoas que tenham consciência da importância de realizar a doação de sangue de seus cães, já que esse procedimento não acarreta qualquer prejuízo para o seu animal e ainda pode ajudar a salvar a vida de outro cão.

Muitos proprietários somente percebem o benefício da doação quando seu próprio cão precisa de uma bolsa e muitas vezes não a consegue. Essas pessoas acabam vivendo o desespero de saber que uma atitude tão simples poderia salvar o seu animal que tanto ama. Mas por causa de desconhecimento da maior parte das pessoas a falta de sangue ainda é uma realidade freqüente

Dr. Marcio A. B. Moreira

Laboratório de Patologia Clínica e

Banco de Sangue Veterinário do HOVET-Anhembi-Morumbi

Obs.: Cada Banco de Sangue cobra um valor pela bolsa de sangue, informe-se no local onde seu pet irá receber sangue.